Para atrair pacientes para a clínica odontológica, o caminho que funciona dentro das regras do CFO combina quatro frentes: um Perfil da Empresa no Google completo, um site que explica cada tratamento, avaliações reais de pacientes e conteúdo educativo sobre saúde bucal. Ficam de fora as táticas que o Código de Ética Odontológica trata como infração: divulgar preço ou forma de pagamento, oferecer avaliação gratuita, sortear tratamento e premiar quem indica.
Boa parte das listas de dicas que aparecem na internet mistura as duas coisas. Uma sugere anunciar o parcelamento, outra recomenda o sorteio no Instagram, uma terceira fala em “avaliação sem compromisso”. Funciona até chegar a denúncia no CRO. Abaixo, o que o Código veda, as frentes que trazem paciente sem risco ético e o cuidado com os dados de saúde no WhatsApp.
Onde o paciente procura um dentista hoje
A indicação de amigos e familiares continua tendo peso, mas mesmo quem recebe uma indicação costuma pesquisar o nome do dentista antes de ligar. E quem não tem indicação começa pela busca: “dentista perto de mim”, “implante dentário no bairro”, “dentista aberto no sábado”. Nessas pesquisas, o Google mostra primeiro o mapa com três consultórios.
Segundo a ajuda oficial do Google sobre classificação local, a ordem desse mapa depende de três fatores:
- Relevância: o quanto o perfil corresponde ao que a pessoa pesquisou. Perfil completo e categoria certa contam aqui.
- Distância: a proximidade entre o consultório e quem está pesquisando.
- Destaque: o quanto a clínica é conhecida, o que inclui links de outros sites e a quantidade de avaliações positivas.
O próprio Google afirma que não é possível pagar por uma posição melhor no resultado local.
Um exemplo prático: uma pessoa com dor de dente na sexta à noite pesquisa “dentista de urgência”. Ela vê três consultórios no mapa, abre o primeiro que mostra horário, fotos da recepção e avaliações recentes, e liga. O consultório ao lado, com perfil sem horário e sem foto, nem entra na comparação.
Dicas comuns que esbarram no Código de Ética Odontológica
O art. 42 do Código de Ética Odontológica permite anúncio em qualquer meio de comunicação, desde que siga os preceitos do próprio Código. O problema está no conteúdo. Estas são as sugestões mais repetidas em listas de “como captar pacientes” e o que a norma diz sobre cada uma:
| Dica comum | O que diz o Código | Como fazer dentro da regra |
|---|---|---|
| Divulgar parcelamento ou “preço justo” | Art. 44, I: publicidade com preços, serviços gratuitos ou modalidades de pagamento é infração | Informar convênios e credenciamentos, que o art. 43, § 1º, IV permite |
| “Agende sua avaliação gratuita” | Art. 20, IX: divulgar consultas e diagnósticos gratuitos ou sem compromisso é infração | Convidar para agendar a consulta, sem a palavra gratuita |
| Sorteio de clareamento no Instagram | Art. 20, VIII, com a redação da Resolução CFO 271/2025: veda oferecer os serviços como brinde, premiação e sorteios | Trocar o sorteio por conteúdo educativo sobre o tratamento |
| Brinde ou vantagem para quem indica | Art. 20, III: receber ou dar gratificação por encaminhamento de paciente é infração | Cuidar do atendimento e pedir que o paciente avalie a experiência no Google |
| Panfletagem com plaqueteiro e carro de som | Art. 44, XIV, com a redação de 2025: aliciamento por telemarketing ativo, caixas de som e plaqueteiros é infração | Presença no mapa, no site e em parcerias de conteúdo com a comunidade |
| “Tratamento popular” | Art. 44, VII: a expressão “popular” é citada como aliciamento | Descrever o tratamento e os convênios aceitos |
Pelo art. 45, quem responde pela publicidade irregular não é só quem postou. Respondem solidariamente os proprietários, o responsável técnico e os demais profissionais que concorreram para a infração. O detalhamento das regras de publicidade, inclusive o que mudou em 2025, está no artigo sobre as regras do marketing odontológico.
As frentes que trazem paciente sem risco ético
O que sobra depois de tirar as táticas vedadas é justamente o que faz o consultório ser encontrado por quem já procura tratamento. A sequência vai do mais urgente ao que acumula resultado.
- Perfil da Empresa no Google completoVerificado, com categoria Dentista ou a especialidade certa, horário, telefone, fotos reais da fachada e da recepção.
- Dados obrigatórios em todo lugarNome, número de inscrição no CRO e a palavra cirurgião-dentista; na clínica, também o responsável técnico com inscrição (art. 43).
- Site que explica cada tratamentoIndicação, etapas, cuidados e dúvidas comuns de implante, canal, ortodontia, sem promessa de resultado e sem preço.
- Avaliações reais, pedidas a todosPedido feito a todos os pacientes, sem brinde e sem escolher só os satisfeitos.
- Conteúdo educativo recorrenteRespostas para o que o paciente pesquisa antes de marcar, com caráter de esclarecimento (art. 44, V).
- Anúncio pago, se fizer sentidoCom as mesmas vedações do Código e apontando para as páginas de tratamento.
Perfil da Empresa no Google
É a frente que mais pesa nas buscas com intenção local. O Google recomenda verificar a empresa, manter endereço, horário e horários especiais atualizados, escolher a categoria correta, adicionar fotos e responder às avaliações. Para o dentista, isso significa também colocar no perfil os dados que o art. 43 exige e usar as fotos da recepção, da fachada e da equipe, nunca a imagem de um procedimento em andamento.
Site do consultório
Quem pesquisa “quanto tempo dura um implante” ou “canal dói” está a poucos passos de marcar consulta. Um site com uma explicação clara de cada tratamento responde essa pessoa e mostra ao Google do que o consultório trata. Pelo art. 43, § 1º, I, áreas de atuação e procedimentos podem ser divulgados, desde que precedidos do título da especialidade registrada no CRO ou da qualificação de clínico geral.
Conteúdo educativo
Explicar quando a gengiva sangrando merece consulta, como funciona o clareamento ou o que esperar da primeira consulta de ortodontia é permitido e ajuda o paciente a decidir. O limite está no art. 44, V: dar consulta, diagnóstico ou prescrição pela internet e divulgar resultados clínicos em meio de comunicação de massa é infração. Diagnosticar alguém nos comentários passa do limite; dizer que dor que acorda à noite precisa de avaliação presencial, não.
Anúncio pago
Google Ads e Meta Ads são meios de comunicação como qualquer outro, e o art. 42 os permite. As vedações valem igual: sem preço, sem forma de pagamento, sem “avaliação gratuita”, sem antes e depois fora da Resolução CFO 196/2019.
Um exemplo prático: uma clínica de bairro tinha Instagram ativo e perfil no Google sem horário. Ao completar o perfil, colocar o CRO do responsável técnico no rodapé do site e publicar uma página sobre cada tratamento que oferece, ela passa a responder as buscas que antes iam para os concorrentes da rua de cima.
Quer saber como o seu consultório aparece hoje no Google, no mapa e nas IAs?
Quero uma análise do meu consultórioAvaliações no Google: como pedir sem ferir as regras
Avaliações entram no fator destaque do Google e muitas vezes decidem entre dois consultórios próximos. Aqui se somam a política do Google e o Código de Ética Odontológica.

A política de conteúdo do Google para avaliações proíbe oferecer pagamento, desconto ou serviço sem custo em troca de avaliação, pedir avaliação positiva só aos pacientes satisfeitos e publicar avaliação com conflito de interesses, como a de funcionários. Pedir que o paciente conte a experiência real é permitido. No Código, o art. 20, III já impede qualquer gratificação ligada a encaminhamento, e o art. 44, VI veda divulgar nome ou qualquer elemento que identifique o paciente sem consentimento.
Na prática
- Pedir a avaliação a todos os pacientes, na saída da consulta ou por mensagem, com o link direto do perfil.
- Não oferecer nada em troca: nem brinde, nem desconto na próxima sessão.
- Responder todas, inclusive as negativas, sem confirmar que a pessoa é paciente e sem citar o tratamento feito.
- Não pedir que a equipe ou a família avalie o consultório.
Um exemplo prático: diante de uma avaliação reclamando da espera, a resposta adequada agradece o retorno, explica que o consultório está revendo a agenda e convida a pessoa a falar com a recepção. Ela não menciona “o seu canal” nem o dia da consulta.
WhatsApp, retorno e dados de saúde
O paciente que já conhece o consultório é o mais fácil de trazer de volta, com o lembrete da limpeza ou da manutenção do aparelho. Só que a mensagem que diz “está na hora da manutenção do seu aparelho” usa dado de saúde.
Pela Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), dado referente à saúde é dado pessoal sensível (art. 5º, II). O art. 11, I permite tratá-lo com consentimento do titular, dado de forma específica e destacada, para finalidades específicas. Para o consultório, isso se traduz em três cuidados:
- Autorização separada: na ficha de cadastro, um campo destacado em que o paciente autoriza receber lembretes de retorno pelo WhatsApp, e não uma linha perdida no meio do contrato.
- Mensagem só para quem autorizou: nada de disparo para listas compradas ou contatos de terceiros, que também esbarra no telemarketing ativo do art. 44, XIV.
- Conteúdo discreto: o lembrete fala em “consulta de retorno”, sem detalhar diagnóstico, porque o celular pode estar na mão de outra pessoa.
Um exemplo prático: uma clínica que mandava promoções para todos os contatos do celular passa a enviar só lembretes de retorno a quem marcou a autorização na ficha.
Nos projetos da Posicione-see com profissionais de saúde, a regra do conselho entra antes do primeiro texto, e não como revisão no fim. Uma dica que traz paciente e gera processo ético no CRO não serve ao consultório: quem responde é o dentista, junto com o responsável técnico e os proprietários.
Para quem atende outras áreas da saúde, as normas mudam de conselho para conselho. A página sobre marketing para profissionais da saúde reúne o que vale para cada área, e a página de marketing para dentistas mostra como a estrutura digital do consultório é organizada para ser encontrada na cidade.
Perguntas frequentes sobre como atrair pacientes para clínica odontológica
Como chamar pacientes para clínica odontológica?
Com presença onde o paciente procura: Perfil da Empresa no Google completo, site que explica cada tratamento, avaliações reais e conteúdo educativo. Tudo isso com nome, CRO e a palavra cirurgião-dentista, sem preço, sem avaliação gratuita e sem sorteio, como pede o Código de Ética Odontológica.
Dentista pode oferecer avaliação gratuita para atrair pacientes?
Não. O art. 20, IX do Código de Ética Odontológica trata como infração divulgar ou oferecer consultas e diagnósticos gratuitos ou sem compromisso, e o art. 44, I veda publicidade com serviços gratuitos.
Posso dar desconto ou brinde para o paciente que indicar outro?
Não. O art. 20, III veda dar ou receber gratificação por encaminhamento de paciente, e o art. 20, VIII veda oferecer os serviços como brinde, premiação ou sorteio. O caminho é cuidar do atendimento e pedir avaliação no Google a todos os pacientes, sem incentivo.
Dentista pode anunciar no Google e no Instagram?
Pode. O art. 42 permite anúncio em qualquer meio de comunicação, desde que siga o Código: nome e CRO na peça, sem preço, sem forma de pagamento, sem promessa de resultado e sem antes e depois fora das condições da Resolução CFO 196/2019.
Próximos passos
Comece pelo que está ao alcance hoje: confira se o Perfil da Empresa no Google tem horário, categoria, fotos reais e os dados do art. 43; procure nos posts e anúncios antigos “grátis”, “parcelamos” e “sorteio”; e inclua na ficha de cadastro a autorização destacada para lembretes de retorno. Se preferir uma leitura completa de como o consultório aparece no Google, no mapa e nas IAs, com a comunicação ajustada às regras do CFO, fale com a Posicione-see.















